Gerar energia através do lixo poderia movimentar R$ 145 bilhões em investimentos no Brasil

Com a adoção de tecnologias de recuperação energética de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), torna-se possível evitar que boa parte dos resíduos sejam depositados em aterros


As novas tecnologias de produção de energia elétrica a partir de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) poderiam movimentar anualmente R$ 11,6 bilhões em investimentos em infraestrutura no Brasil, totalizando R$ 145 bilhões até 2031, conforme aponta a Climate Bonds Initiativa (CBI).


O Brasil produziu 78,4 milhões de toneladas de Resíduo Sólido Urbano (RSU) em 2017. Desse total, 3,9 % foram reciclados e destinados a compostagem, 59,1% destinados a aterros sanitários, e o restante, 20 milhões de toneladas (ou 37% de todos os resíduos), despejados por 3.352 municípios em lixões ou aterros controlados.


Com a adoção de tecnologias de recuperação energética e de insumos, torna-se possível evitar que boa parte dos resíduos sejam depositados em aterros que, muitas vezes, não previnem emissões líquidas e gasosas para o meio ambiente. De acordo com a Associação Brasileira de Recuperação Energética – ABREN ( https://abren.org.br/ ), se o Brasil destinasses 35% de todo os RSU para usinas de Waste-To-Energy (WTE), o país poderia produzir aproximadamente 1.300 GWh/mês, volume suficiente para atender 3,29% da demanda nacional de energia elétrica.

 “Uma usina WTE, em média, gera 600 kWh de energia elétrica por tonelada de RSU, e aterro sanitário com captação de biogás extrai uma média 65 kWh por tonelada, o que nos leva a concluir que uma usina WTE possui dez vezes mais eficiência energética, isso sem levar em conta que a energia gerada a partir de resíduos em ambiente de aterro é extraída lentamente ao longo do tempo, ao passo que a eletricidade é gerada imediatamente em usina WTE”, afirma o presidente da ABREN, Yuri Schimtke.




WTE


Pode-se definir WTE como a geração de energia elétrica a partir da biodigestão ou tratamento térmico de resíduos, sejam eles orgânicos ou inorgânicos, através do uso de diversas tecnologias existentes. A implementação de usinas WTE tem sido a solução encontrada em diversos países para a destinação final dos RSU que não foram aproveitados no processo de reciclagem ou compostagem, ou seja, os RSU que seriam destinados aos aterros, sendo que estes, mesmo os sanitários, trazem riscos de contaminação irreversível ao meio ambiente.


No mundo existem mais de 2 mil usinas de WTE em operação. No Brasil não há nenhuma usina de tratamento térmico de resíduos em operação, apenas a usina de biodigestão da CS Bioenergia em Curitiba, algumas pequenas plantas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), e algumas usinas de captação de gás de aterro.


Criada em 2019, a ABREN surgiu para fomentar o mercado de recuperação energética de resíduos, conhecido como Waste-to-Energy (WTE). O lixo pode deixar de ser um passivo ambiental para se tornar uma fonte renovável de energia elétrica. Por meio da biodigestão anaeróbica dos resíduos orgânicos ou animais, é possível produzir biogás ou biometano, que pode gerar energia elétrica ou ser utilizado em veículos ou em processos industriais.


Sobre a ABREN:  


Associação brasileira sem fins lucrativos e de âmbito nacional que tem como objetivo promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacionais e internacionais, e em todos os níveis governamentais, representar e certificar empresas e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa, promover eventos institucionais, acadêmicos, P&D e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de resíduos no Brasil.



Fonte: www.saneamentobasico.com.br

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